Monthly Archives: August 2007

Semana de estudos em eletrônica e circuit bending, robôs e afins…

Entre as participações nos estivais em Zadar e Karlovac, ficamos uma semana em Kirzevci, uma cidade muito pequena a uma hora da capital Zagreb. Com a presença da amiga Anna, polonesa brasileira e integrante do Ipê, e Lesh, um hacker que nos trouxe um robô feito de furadeiras, passamos uma semana abrindo velhas tralhas eletrônicas, tentando tirar som de circuitos elétricos, construindo esquemas com circuitos integrados do zero (daonde saiu a construção do SonZeira- Gerador de Som Estranho adapatado do site MusicFromOuterSpace).

Foi uma semana muito bacana de experimentações e aprendizados, só que no final, pressionados pela participação no Festival Nepkoreni Grad em Karlovac, tivemos que apressar a formulação de um produto para fazer uma “performance”: Uma caixa chamada “Kriszevci SOund Band” uma idéia ótima mas que foi feita as pressas, e a festa Toninho Malvadeza Morreu, antes ele do que eu”.

O ideal seria levar o lab que tínhamos montado para o festival e continuar as pesquisas e afins, mas a fetichização do produto e da obra arte nos levou a esse caminho tortuoso do mundo dos artistas onde tudo é superficial e sem sentido como aconteceu no Nepokoreni Grad. Vou falar mais sobre isso em outro post sobre a quantidade de festivais financiados pelo governo e da profissionalização.

Mas de qualquer maneira, foi uma semana bacana e proveitosa. ALgumas fotos aqui, e o som da “Sinfonia nº1 – dos atentados terroristas e dos financiamentos estatais” feito com o “Sonzeira-Gerador de SOm eSTRANho” e publicado no site Rádio Janela e que tambémpode ser escutado aqui:

mídia tudo igual

Impressionante, como se vai pro outro lado do mundo, com outras histórias, outras culturas, outros hábitos, e na TV, nos jornais, nos supermercados se encontra as mesmas marcas de refrigerante e pasta de dente, os mesmos filmes americanos, os mesmos tipo de programas de TV, os mesmos tipo de notícia, as mesmas caras de babaca dos âncoras de telejornais, os mesmos big brothers, mesmas fofocas, a mesma diagramação. Depois vou colocar aqui um trecho de alguns canais de TV.

Cerveja=Pivo

Uma da coisas mais importantes em um intercâmbio cultural é conhecer a cultura cervejística local. Aqui na Croácia, a cerveja é muito saborosa, muitas cervejas vêm de outros países ex-ioguslavos como a eslovênia. Mas o mais interessante é o tamanho. Se na argentina existem garrafas de 1 Litro, aqui encontramos garrafas de 2 Litros! A desvatangem fica pelo desconfortável hábito de se beber cerveja quente, um pouco incoveniente para os brasileiros, mas nada que não se acostume.

Orgão Natural

Com buracos feitos sob medida nessa praia de ladrilho, o movimento do mar porduz uma pressão atmosférica que através dos oríficios que saem do chão, se ouve uma variação de notas e timbres muito bonita. É um PD natural Muita gente fica a noite, quando o sol é mais fraco, ouvindo o ruído que sai do chão e fica mais alto e nervoso quando um barco passa perto.

Gravamos alguns trechos :

Zadar Snova

Nossa primeira atividade foi em um festival de teatro comteporâneo chamado Zadar Snova, no litoral croata na região da Dálmacia. A região agora no verão é lotada de turistas, e por isso muito cara em relação ao resto da Croácia. Desde o final da Guerra o turismo tem sido uma das principais fontes de renda para o país, e Zadar é uma das principais cidades turísticas do país. Uma cidade que já foi romana, reconstruída pelos católicos usando as ruínas romanas, foi um dos principais alvos na guerra dos balcãs e ficou completamente destruída. Mas com turismo, cresceu bastantem e hoje é a quinta maior cidade croata com 75.000 habitantes(!! Zagreb a capital tem um milhão e o país todo 4 milhoes). Uma cidade linda, um pouco estragada pelas lojas de grife em busca dos dinheiro dos gringos da união européia.

O festival acontece desde de 97, logo depois da guerra, e é uma tentativa de mexer um pouco com a cultura, buscar novas interações, incentivar a criatividade no campo do teatro e da dança. Segundo seu fundador a idéia é criar uma tensão na cidade,uma tensão, circulação de pessoas, que gere novas possibilidades. Muito interessante ver que na Croácia acontecem vários desses festivais de cinema, de teatro, de música experimental, arte conteporânea, novas mídias. A cultura existia antes no socialismo de Tito, mas era toda organizada pelo Estado. Depois da guerra, sugiram muitas ONG’s que organizam esses festivais e o governo federal e locais são os maiores financiadores. E como é uma país pequeno muitas pessoas desses festivais se conhecem e se encontramm fazem intercâmbios. Foi o que aconteceu nesse festival. Kruno foi chamado para montar uma rádio, dentro do itinerário da Rádio Livre Viajante.
E um pessoal de um festival de curtas de Tabor, um castelo, perto da Eslovênia, fizeram a mostra de filmes que acontecia no final do dia. E todos os dias aconteciam peças de teatro e dança conteporânea em prédios e igrejas antigas.

Bem, montamos a rádio, a Festivalski Radiom, em um estudio improvisado dentro do QG do festival, transmitindo em 99.8, com alguns problemas na antena, e por streaming. Subimos a antena com a grua de obra que acontecia em frente ao estúdio. Rolaram várias participações de amigos da Croácia, Brasil e Argentina, mandando músicas, poemas, textos, fazendo stremings de outros lugares. Gravamos o áudio de peças, apresentações, sons e ruídos da cidade, tocamos os hinos do Brasil e Croácia juntos ao contrário, foi muito bacana!
Fizemos entrevistas em vídeo com o organizador do festival de curtas de Tabor, Ivo Gima, e com organizador do Zadar Snova, Christian. Um estadia muito proveitosa.

Algumas expressões em croata típicas da dálmacia: “Pomalo, Pomalo” = tranquilo, tranquilo e “Nema Problema”= Sem Problema….

Ouça uma parte da transmissão aqui embaixo!

Mais uma expedição

Tudo começou com um email sobre uma rede de webrádios do Kruno para uma lista de rádio do indymedia, ao qual o chico da rádio muda viu, entrou em contato, e a partir daí se iniciou a idéia de um intercâmbio entre brasil e croácia levada a frente pelo Kruno. Desde lá e acho que fazem dois anos, já foram feitas diversas expedições de reconhecimento. Já vieram por essas bandas Ricardo Ruiz,Tatiana Wells, Chico Caminati, Thiago Novaes e Alexandre Freire, estes dois a poucos meses pela ocasisão do Icommons em Dubrovinik, o que possibilitou sua participação na Rádio Livre Viajante (Putujući slobodni radio), que consiste na instalação de rádios com um transmissor de baixa potência (1 Watt com um amplificador de 15 Watts) em diversos festivais que acontecem na Croácia nessas épocas mais quentes. (Veja o relato de Alexandre Freire nesse blog em inglês ou aqui em português)
Com uma carta convite da ONG/CNPJ, UKE, que o Kruno tem, conseguimos, Giuliano Bonorandi e Tatiana Gouveia, o apoio do Ministério da Cultura brasileiro através do Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural meio que de surpresa.No plano de viagem, a participação em mais dois festivais com a Rádio Livre Viajante em Zadar e Karlovac, uma rápida passagem nos arredores de Pula, na região da Ìstria e uma semana de pesquisas com software livre em Krizveci. E acima de tudo, conversas, muitas conversas, e a tentativa de de se conhecer melhor cultura e realidade umas dos outros.

O principal interlocutor dessa conversa do lado croata é o Kruno Jost, que ao mesmo tempo é o mais empolgado com as possibilidades. Já fez duas viagens ao Brasil, a última com sua consorte Tanja (que na verdade se lê Tânia) e da qual fez este blog aonde se pode ler, em inglês, suas impressões sobre pessoas, cidades e grupos que trabalham com mídia livre, software livre, conhecimento compartilhado, e essas esperanças dos nossos tempos. A despeito da irregularidades e diferenças desses grupos no Brasil, tudo lhe parece muito frutífero, já que aqui na Croácia, tudo isso é muito pequeno e isolado. Pois ele é um dos que tenta conectar diversas pessoas envolvidas em movimentos artísticos, software livre, rádio livre, conhecimento aberto, etc. e tal, participando de algumas iniciativas:

MMKamp => O festival que este ano se converteu na Rádio Livre Viajante. “MMKamp é um projeto internacional de ‘residência artística’ baseado na colaborção entre organizações sem fim lucrativo, artistas,ativistas de mídia tática, e aqueles que não sabem ainda o que são e não se importam. O conceito do MMkamp é um laboratório de arte e de novas mídias, uma plataforma de pesquisa, experimentações com novas mídias e de desenvolvimento de novas formas artísticas e de comunicação.”

GentleJunk.com => “o coletivo gentlejunk é uma plataforma colaborativapara artistas multimídia que oferece possibilidades de experimentações como multimídia, novas mídias e design. Colaborar em imaginação artística ou não, trabalhar em conjunto, compartilhar ideías e inventar conceitos, desconstruir e reconstruir.” “Gentlejunk também é uma NetLabel. aberta para artesões sonoros e músicos interessados em uma criação doce e inivadora, no som em sua essência, experimetnação, inovação, barulho, drone… A maioria dos albúns lançados não estão rigidamente no campo da música da melodia e harmonia, mas estão mais abertos para o contar de histórias e para a experiência psicodélica do som puro e às vezes áspero que reflete o estado íntimo do ser”

Free Radio StanicaMIR => “FREE RADIO: STANICA MIR é uma rede informal de webrádios constituída de índividuos e organizações. Através do programa de rádio Stanica Mir, usando softwares de código aberto e através do compartilhamento do conhecimento e da colaboração internacional com outras rádios livres. Trabalha no sentido de expandir o espaço de mídia livre não comercial, a ação criativa e o ativismo”

Mais do que tudo, e como tudo deveria ser, esse intercâmbio é pra juntar a galera (we gonna put it togheter), it’s all about connectining people. E com o slogan de uma grande fabricante de celulares, se produz uma bela descrição para o nosso desbravamento: Rakija, Connecting People. Rakija é a cachaça local, que pode ser feita de uva,figo ou pessêgo e se lê “Ráquia”. Ou seja, como em qualquer lugar do mundo, as melhores conversas e os melhores intercâmbios acontecem nos bares.

Tentar acabar ou pelo menos desconstruir as fronteiras nacionais, com canetas, marretas e microfones.